O dermatologista José Roberto Fraga Filho e a biomédica esteta Franciela Bednarski contam o que muda e indicam produtos e ativos para a faixa etária
Entre os 40 e 50 anos, a pele passa por mudanças significativas — desde a redução da produção de colágeno até o surgimento de manchas, rugas mais evidentes e ressecamento.
Para entender quais são os cuidados mais essenciais nessa fase da vida, o Estadão Recomenda ouviu dois especialistas: o dermatologista José Roberto Fraga Filho, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e a biomédica esteta Franciela Bednarski, especializada em nutrição estética e fitoterapia.
Eles explicam o que muda na pele com o passar dos anos, os ativos que realmente fazem a diferença, os erros mais comuns e como adaptar a rotina de skincare para cada tipo de pele. Confira a seguir e veja ainda quais são os produtos que precisam compor a rotina de cuidados nessa faixa etária.
Skincare após os 40
A rotina de cuidados com a pele deve seguir três pilares básicos: limpeza, hidratação e proteção solar. Segundo Fraga Filho, esses passos são universais, o que varia são os produtos usados de acordo com o tipo de pele — seca, oleosa ou mista.
Além disso, o uso de substâncias antioxidantes ganha ainda mais importância nessa faixa etária. “Vitaminas A, C e E retardam o envelhecimento e devem estar presentes nos hidratantes, sabonetes e protetores solares”, conta o dermatologista.
Franciela também reforça a importância de uma rotina noturna eficiente: “A pele se regenera à noite, então é o momento ideal para incluir ativos como o retinol, ácido glicólico e argireline, que aceleram a renovação celular e minimizam linhas finas”.
Ativos para a pele madura
Entre os ativos mais eficazes no combate ao envelhecimento, os retinoides são destaque. “Eles são considerados o padrão ouro pela Sociedade Brasileira de Dermatologia para o tratamento domiciliar de rugas e linhas finas”, afirma Fraga Filho.
Porém, o especialista destaca que o uso exige cuidado e orientação médica, pois podem causar irritação se usados em concentrações altas.
Franciela sugere apostar também em hidratantes ricos em ácido hialurônico e peptídeos, pois estes ajudam a restaurar a firmeza e a elasticidade da pele.
Já para a limpeza, a dica é usar produtos suaves, sem sulfatos e com pH equilibrado. “A pele madura precisa de um sabonete que preserve sua hidratação natural”, recomenda a biomédica.
Mudanças na pele
De acordo com o dermatologista Fraga Filho, é entre os 40 e 50 anos que os efeitos da exposição solar ao longo da vida começam a se manifestar de forma mais evidente. “Nossa pele tende a ficar mais manchada, fina, enrugada, delgada e com tendência ao ressecamento”, explica.
Franciela complementa que, aos 40, há uma diminuição na produção de colágeno — proteína que dá firmeza e elasticidade à pele —. o que contribui para a fixação das linhas de expressão. Já aos 50, essas mudanças se intensificam: “Há perda de volume e densidade, com flacidez em regiões delicadas como as pálpebras, além do surgimento de manchas como o melasma”, diz.
Outro ponto essencial apontado pela biomédica é o papel dos hormônios nas mulheres. “Durante a transição para a menopausa, os níveis de estrogênio e progesterona caem drasticamente, afetando a firmeza, a hidratação e a capacidade regenerativa da pele”, destaca.
Proteção solar
Um dos maiores erros cometidos por pessoas entre os 40 e 50 anos, segundo Fraga Filho, é não usar protetor solar diariamente. “É o tratamento mais eficaz contra o envelhecimento precoce, e ainda assim é negligenciado”, alerta.
Franciela concorda e acrescenta que a escolha do protetor também faz diferença. “Evite moléculas perigosas como oxibenzona e octinoxato. Dê preferência a protetores com ativos naturais ou até fotoprotetores orais à base de leucotomos polypodium”, especifica.
Dia e noite: cuidados complementares
Segundo os especialistas, a rotina de cuidados deve ser adaptada ao ciclo da pele. “À noite usamos ácidos, como os retinoides, que não permitem exposição solar. Pela manhã, devemos removê-los e iniciar os cuidados diurnos”, explica Fraga Filho.
A biomédica reforça essa lógica, destacando que isso acontece porque, à noite, a pele tem a oportunidade de se regenerar e que esse é o melhor momento para aplicar ingredientes ativos mais potentes.
Cuidados para cada tipo de pele
Como cada pele tem suas particularidades, a personalização da rotina de skincare é fundamental. Fraga Filho aconselha que o skincare seja incorporado à rotina habitual da pessoa. “Costumo associar ao momento de escovar os dentes, por exemplo, assim, o hábito se consolida mais facilmente”, sugere.
Já Franciela detalha alguns cuidados direcionados para os diferentes tipos de pele:
- Pele seca – Use limpadores suaves e hidratantes com ácido hialurônico, glicerina e ceramidas;
- Pele oleosa – Aposte em géis ou espumas de limpeza, hidratantes oil-free e não comedogênicos;
- Pele mista – Combine abordagens, aplicando diferentes produtos conforme a necessidade de cada região do rosto.
“Mesmo produtos com ação ‘dual’, que equilibram hidratação e controle da oleosidade, podem ser uma boa alternativa”, finaliza.
Fonte: Estadâo